Joia rara ao luar

Ela, (minha mãe), e eu, vínhamos caminhando e trocando prosa, numa rua deserta de noite de lua alta e brilhante, dessas que a gente fica até feliz por estar vivo. Parecia cenário de filme romântico, mas era uma coisa mais família, eu e ela, conversando sobre a importância do núcleo familiar estar unido para enfrentar grandes desafios. Num ímpeto argucioso e com sua alta higiene mental em dia, minha mãe grita em alto e bom som: – Filha, olha, é uma pulseirinha, ali filha, no chão!Fiquei olhando para onde o dedo da minha velha apontava. Reparei um circulo grosso e brilhante, reluzente. Fiquei na minha.Audaciosa como ela só, e foi assim por toda vida, minha mãe abaixou para resgatar do asfalto, aquele mimo de joia que os céus havia dado para nós, mulheres vaidosas e precisadas.Mamy agachou “na chôn” e passou os dedos pela pulseirinha que ao mesmo tempo reluzia um brilho de cristais swarovski.Voltou do chão sem nada nas mãos, com uma cara de quem repudiava o ato.Olhou pra mim e bravejou com toda sua indignação:- É catarro filha! Os dedos melados de muco pulmonar comprovaram, era catarro mesmo e dos bem grossos.

~ por Caricata da Silva em agosto 31, 2010.

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